Para poupar gás em casa deve atacar o desperdício de dinheiro em três frentes distintas: o aquecimento, a água quente e o contrato de gás. Saiba que equipamentos gastam mais gás na sua casa, leia dicas práticas com mais impacto na fatura e descubra a forma mais eficaz de poupar na fatura de gás já este mês.

Para poupar gás em casa, o mais eficaz é perceber primeiro que equipamentos consomem mais, e concentrar aí os ajustes de hábitos e de manutenção, em vez de tentar poupar de forma dispersa em toda a habitação. O gás natural em casas portuguesas é usado sobretudo para três fins, aquecimento central, água quente sanitária e cozinha, sendo os dois primeiros claramente os que mais pesam na fatura ao longo do ano.
Os equipamentos que mais gastam gás em casa são a caldeira de aquecimento central, sobretudo durante o Inverno, e o esquentador ou a caldeira usados para aquecer água quente sanitária, já que ambos funcionam sempre que há necessidade de calor ou de água quente, ao longo de todo o ano. O fogão a gás tem um peso mais limitado no total da fatura, mas em famílias numerosas ou que cozinham com muita frequência também contribui de forma visível para o consumo mensal.
Veja na tabela seguinte 10 dicas práticas para poupar na fatura de gás natural, com uma estimativa de poupança e a forma mais simples de as pôr em prática:
| Dica | Estimativa de Poupança | Como Fazer |
|---|---|---|
| Instalar válvulas termostáticas nos radiadores | 8% a 13% no consumo de aquecimento | Instale válvulas termostáticas e um termóstato programável nos radiadores da casa. |
| Baixar a temperatura do esquentador ou caldeira | 10% a 20% por cada 10ºC reduzidos | Regule o termóstato entre 55ºC e 60ºC, em vez de o deixar na temperatura máxima de fábrica. |
| Fazer manutenção regular à caldeira | Até 15% | Contrate uma revisão anual da caldeira junto de um técnico certificado. |
| Cozinhar com panela de pressão | ≈15% no gás usado na cozinha | Use a panela de pressão para alimentos que normalmente demoram mais tempo a cozinhar. |
| Tapar as panelas ao cozinhar | Reduz o tempo de fervura e o consumo associado | Tape sempre a panela e baixe o lume assim que a água começar a ferver. |
| Instalar painéis solares térmicos | Mais de 35% na fatura de aquecimento de águas | Instale um sistema solar térmico como apoio ao esquentador ou à caldeira existente. |
| Reduzir o tempo de duche | Reduz o gás gasto a aquecer água | Prefira duches mais curtos a banhos de imersão, e feche a torneira enquanto se ensaboa. |
| Melhorar o isolamento térmico da casa | Reduz de forma relevante a necessidade de aquecimento | Invista em caixilharias eficientes, vedantes nas portas e janelas, e cortinados pesados. |
| Arejar a casa antes de ligar o aquecimento | Evita desperdício de gás no arranque do aquecimento | Areje a casa por poucos minutos e feche bem as janelas antes de ligar o aquecimento. |
| Comparar fornecedores e mudar de tarifário de gás | Poupança que pode chegar aos 300€/ano com um conjunto de medidas | Use um simulador de preços para comparar tarifários de gás e mudar para o mais barato. |
O preço kWh mais barato é a solução para garantir a máxima poupança na fatura de gás, porque vai ficar a pagar menos em todos os consumos que realiza.
O aquecimento central é, para a maioria das casas com gás natural, a maior fatia da fatura durante os meses mais frios, por isso pequenos ajustes na forma como o sistema é usado têm um impacto direto e imediato no consumo.
Sim, as válvulas termostáticas ajudam a poupar gás, permitindo regular a temperatura de cada radiador de forma independente, em vez de aquecer toda a casa à mesma temperatura, mesmo em divisões pouco usadas. Combinadas com um termóstato programável, que ajusta automaticamente a temperatura consoante o horário do dia, estas soluções costumam poupar entre 8% e 13% no consumo de aquecimento, sem qualquer perda de conforto nas divisões que realmente usa.
Sim, o isolamento térmico da casa faz uma diferença significativa na fatura de gás, já que uma habitação mal isolada perde calor continuamente pelas janelas, portas e paredes, obrigando o sistema de aquecimento a trabalhar durante mais tempo para manter a mesma temperatura. Investir em caixilharias eficientes, vedantes nas portas e janelas, e até em cortinados mais pesados nas divisões mais frias, reduz essa perda de calor e, por consequência, o consumo de gás necessário para aquecer a casa.
Sim, vale a pena arejar a casa antes de ligar o aquecimento, já que renovar o ar por alguns minutos, e só depois fechar bem as janelas para ligar o sistema de aquecimento, evita que o gás seja gasto a aquecer um ar que vai ser rapidamente substituído por ar fresco do exterior. Este pequeno hábito, repetido diariamente ao longo do Inverno, evita desperdício sem exigir qualquer investimento.
A água quente sanitária é usada todos os dias do ano, ao contrário do aquecimento, que se concentra sobretudo nos meses mais frios, por isso pequenas melhorias na eficiência do esquentador ou da caldeira acabam por se refletir em todas as faturas, não só nas de Inverno.
Sim, vale a pena baixar a temperatura do esquentador ou caldeira, já que muitos equipamentos vêm configurados de fábrica para temperaturas de 70ºC a 75ºC, bastante acima da temperatura necessária para um duche confortável, que ronda os 40ºC a 42ºC. Por cada 10ºC de redução na temperatura de armazenamento, pode poupar entre 10% e 20% na energia consumida pelo aparelho, sendo o intervalo entre 55ºC e 60ºC o mais equilibrado entre poupança e segurança sanitária.
Sim, a manutenção da caldeira faz diferença na fatura, já que um equipamento mal regulado ou com componentes sujos precisa de queimar mais gás para produzir a mesma quantidade de calor ou de água quente. Uma manutenção adequada e regular, feita por um técnico certificado, pode poupar até 15% em energia, além de prolongar a vida útil do equipamento e reduzir o risco de avarias inesperadas.
Sim, vale a pena instalar painéis solares térmicos para quem tem uma utilização regular de água quente, já que esta solução pode representar uma poupança superior a 35% na fatura associada ao aquecimento de águas, ao usar energia solar para pré-aquecer a água antes de esta chegar ao esquentador ou à caldeira. Numa moradia com 4 pessoas, um painel solar térmico de cerca de 4 m² pode poupar na ordem dos 50€ por ano, um valor que se acumula ao longo de toda a vida útil do equipamento, que costuma ultrapassar os 20 anos.
Ao reduzir os consumos de gás pode também poupar nos custos fixos da fatura, porque pode passar a ter um escalão de gás mais reduzido e com preços inferiores.
Além dos hábitos de utilização e da manutenção dos equipamentos, o próprio contrato de gás tem um peso direto na fatura, e é muitas vezes aqui que está a poupança mais rápida de conseguir.
Sim, o escalão de consumo de gás influencia a poupança, já que o preço por m³ ou por kWh pode variar consoante o escalão em que a sua instalação está enquadrada, definido com base no consumo anual estimado. Um escalão desajustado ao seu consumo real pode significar que está a pagar um preço unitário mais alto do que seria necessário, por isso vale a pena confirmar periodicamente se o escalão atribuído continua a corresponder aos seus hábitos de consumo.
Sim, mudar de fornecedor de gás pode ajudar a poupar de forma mais rápida e significativa do que qualquer ajuste de hábitos, já que o preço do gás varia bastante entre comercializadores para o mesmo escalão de consumo. Este processo é gratuito, não interrompe o fornecimento, e pode ser feito a qualquer momento, como explicamos em detalhe no nosso artigo sobre como mudar de fornecedor de luz e gás.
Deve estar atento aos apoios do Estado para a melhoria da eficiência energética e candidatar-se a estas medidas. Alguns dos apoios concedidos com estes mecanismos financeiros ajudam a reduzir as faturas de luz e gás e também podem aumentar o valor do seu imóvel.
A melhor forma de poupar na fatura de gás é comparar os preços do mercado e aderir ao tarifário mais barato. Esta é a medida mais eficaz e rápida para poupar na fatura de gás natural.
Adotar as dicas de aquecimento e de água quente deste artigo exige disciplina contínua para gerar poupança real, e algumas, como o isolamento térmico ou os painéis solares, implicam um investimento inicial. Pelo contrário, comparar e mudar de tarifário não depende de nenhum compromisso, investimento ou mudança de rotina, e a poupança fica imediatamente refletida a partir da primeira fatura seguinte.
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